Coroinhas

Coroinha (do latim pueri chori, “menino do coro”), Acólito Extraordinário ou Acólito Não- Instituído, é uma criança, adolescente, que auxilia os sacerdotes nas funções do altar

Coroinha é um termo presente na tradição litúrgica brasileira. Nos documentos litúrgicos não existe qualquer menção, existindo apenas os Acólitos Instituídos e os não­instituídos (estes últimos, então, popularmente chamados de coroinhas).

Há os que dizem que coroinha vem da antiga celebração da Santa Missa, em que partes do ritual eram cantadas em coro. Ocasionalmente, alguns dos meninos do coro eram solicitados para auxiliar os padres no altar, donde lhes foi dado o nome coroinhas.

Em 1994, Sua Santidade, o Papa João Paulo II, autorizou que meninas também servissem ao altar.

 

Contexto histórico

No tempo em que os apóstolos eram ainda vivos, as comunidades cristãs se reuniam nas próprias casas para celebrarem a Eucaristia. O imperador romano perseguia e matava quem se declarasse seguidor de Jesus, de modo que as celebrações eram realizadas às escondidas (nas catacumbas).

No ano de 313, um imperador chamado Constantino, tornou­se cristão e o cristianismo se expandiu sem perseguições. A partir daí começaram a ser construídas grandes igrejas e as celebrações foram ganhando nova forma, assim como foram surgindo funções e lugares próprios para cada um na Igreja.

O coro é um local na igreja onde estão localizados os cantores e instrumentalistas e todos aqueles que tinham uma participação ativa na celebração: coroinhas/acólitos e sacristão.

Os coroinhas surgiram neste ambiente. Eram chamados de “meninos do coro”, donde vem a palavra coroinha. Quando se rezavam as vésperas (oração da tarde na Igreja), eles recitavam as orações e acompanhavam o sacerdote nas funções litúrgicas (cantar, servir o altar…).

Os meninos do coro aproveitavam um pouco do tempo para aprender a ler e escrever com os padres, porque naquele tempo ainda não havia escolas. Aprendiam também música, para poder acompanhar os cantos. Quando a missa era rezada em latim, o povo não respondia as orações, apenas o coroinha é que recitava as respostas.

Com o tempo as funções na liturgia mudaram e o ministério do coroinha também evoluiu e hoje ele serve o altar, canta acompanha o celebrante, reza, participa…

Art. 222 do Diretório Arquidiocesano de Curitiba: Nas celebrações em que o Arcebispo ou Bispo está presente, bem como nas celebrações festivas da Igreja, são eles os responsáveis pelo cerimonial, conforme dispõe o Cerimonial dos Bispos.

 

O que é preciso para ser coroinha:

  • Ter vontade de ajudar;
  • Ser disponível para Deus e sua comunidade;
  • Esforçar­se para ser bom, procurando viver o que Jesus viveu.

 

Ser coroinha é estar a serviço do altar e do próximo. Servir ao altar não é apenas ajudar o padre, transportar os objetos litúrgicos ou executar as funções que lhe são próprias. Servir ao altar é muito mais: é participar do Mistério Pascal de Cristo, ou seja, da Paixão­Morte­Ressureição de Cristo. Servir ao altar é estar aos pés da cruz, é contemplar o Cristo ressuscitado com os olhos da fé e viver alegremente o Evangelho.

 

Ser coroinha não é privilégio. É um serviço, um ministério! Não está no altar fazendo um teatro. Ele/a está ali para ajudar a comunidade a rezar. Assim, deve participar da celebração com atenção e piedade.

 

O bom coroinha é aquele que exerce o serviço no altar com dedicação e piedade, sendo conhecedor de tudo que envolve o seu ministério. Mas um bom coroinha é também aquele menino ou menina que procura dar testemunho de vida em sua casa, na rua, na escola, com os amigos, enfim em todos os lugares onde se encontra. Por isso, podemos afirmar que o coroinha é chamado a servir no altar e na vida.

 

 

 

João Paulo II pede para que se dedique maior atenção aos coroinhas

Cidade do Vaticano, 7/4/2004

 

João Paulo II pediu às comunidades paroquiais e aos sacerdotes que dediquem maior atenção aos coroinhas, meninos e jovens que ajudam no serviço ao altar, pois constituem um “viveiro de vocações sacerdotais”.

O pontífice lança seu pedido na tradicional Carta que envia aos sacerdotes do mundo com motivo da Quinta­feira Santa, na qual presta particular atenção à oração e ao compromisso da Igreja para suscitar vocações à vida consagrada.

“Cuidai especialmente dos coroinhas, que são como um “viveiro” de vocações sacerdotais”, explica o Papa na carta que escreve há 25 anos aos presbíteros do mundo nesta data, na qual se celebra os momentos em que Jesus instituiu a Eucaristia e o sacerdócio na última Ceia.

“O grupo de acólitos, bem acompanhado por vós no âmbito da comunidade paroquial, pode percorrer um válido caminho de crescimento cristão, formando quase uma espécie de pré­seminário”, declara.

“Recorrendo à cooperação de famílias mais sensíveis e dos catequistas segui, com solícita atenção,o grupo dos acólitos para que, através do serviço do altar, cada um deles aprenda a amar cada vez mais o Senhor Jesus, reconheça­O realmente presente na Eucaristia e saboreie a beleza da liturgia”, sugere o Santo Padre.

“Todas as iniciativas para os acólitos, organizadas a nível diocesano e por zonas pastorais, devem ser promovidas e estimuladas, tendo sempre em conta as diversas faixas etárias”, sublinha.

O Papa Karol Wojtyla se remete à sua experiência de arcebispo de Cracóvia, quando pôde apreciar, segundo revela, “quão proveitoso é dedicar­se à sua formação humana, espiritual e litúrgica”.

“Quando crianças e adolescentes realizam o serviço do altar com alegria e entusiasmo, oferecem aos da sua idade um testemunho eloqüente da importância e da beleza da Eucaristia”, declara.

“Nas regulares celebrações dominicais e feriais, os acólitos encontram­vos a vós, nas vossas mãos vêem “fazer­se” a Eucaristia, no vosso rosto lêem o reflexo do Mistério, no vosso coração intuem a chamada a um amor maior”, diz o Papa em sua carta aos sacerdotes.

 

 

Importância da Oração

Na vida do coroinha a oração é fundamental. É pela oração que o jovem aprende a se relacionar com Deus, a se tornar íntimo do Senhor. Na oração recebem­se as graças de Deus, o auxílio para os momentos difíceis e a força para superar o pecado e as falhas pessoais. Sem oração não se pode servir ao altar, pois como vamos estar com Cristo se não temos intimidade com Ele? É a oração que permite ao coroinha exercer o seu serviço ao próximo e ao altar de forma digna.

 

 

Senhor, damo­Vos graças

porque nos chamais novamente ao Vosso serviço

nesta celebração que estamos quase a começar.

Ajudai­nos a estar muito atentos

para Vos reconhecer na pessoa do sacerdote,

para escutar com proveito a Vossa Palavra,

alimentar­nos dignamente

com o Vosso Corpo e Sangue,

e reconhecer­Vos presente

no meio da assembléia dos irmãos.

Ajudai­nos a servir ao Vosso Altar

como Vós o mereceis,

a fazer tudo com diligência e eficácia,

e., sobretudo, a fazê­lo por Vosso amor.

Sim, que todo o nosso serviço seja, Senhor

expressão do amor com Vos queremos amar,

pois só em Vós encontramos a paz e a alegria.

Ajudai­nos, Mãe de Deus e nossa Mãe,

Vós que nos dissestes a todo:

” Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Amém

 

 

saotarcisio15 de Agosto ­ São Tarcísio – Padroeiro dos Acólitos e Coroinhas

 

Tarcísio foi um mártir da Igreja dos primeiros séculos, vítima da perseguição do imperador Valeriano, em Roma. A Igreja de Roma contava, então, com 50 sacerdotes, sete diáconos e mais ou menos 50 mil fiéis no centro da cidade imperial. Ele era um dos integrantes dessa comunidade cristã romana, quase toda dizimada pela fúria sangrenta daquele imperador.

Tarcísio era acólito do papa Xisto II, ou seja, era coroinha na igreja, servindo ao altar nos serviços secundários, acompanhando o santo papa na celebração eucarística.

Durante o período das perseguições, os cristãos eram presos, processados e condenados a morrer pelo martírio. Nas prisões, eles desejavam receber o conforto final da Eucaristia, mas era impossível para um sacerdote entrar. Numa das tentativas, dois diáconos, Felicíssimo e Agapito, foram identificados como cristãos e brutalmente sacrificados. O papa Xisto II queria levar o Pão sagrado a mais um grupo de mártires que esperavam a execução, mas não sabia como.

Foi quando Tarcísio pediu ao santo papa que o deixasse tentar, pois não entregaria as hóstias a nenhum pagão. Ele tinha 12 anos de idade. Comovido, o papa Xisto II abençoou­o e deu­lhe uma caixinha de prata com as hóstias. Mas Tarcísio não conseguiu chegar à cadeia. No caminho, foi identificado e, como se recusou a dizer e entregar o que portava, foi abatido e apedrejado até morrer. Depois de morto, foi revistado e nada acharam do sacramento de Cristo. Seu corpo foi recolhido por um soldado, simpatizante dos cristãos, que o levou às catacumbas, onde foi sepultado. Foi o papa Dâmaso quem mandou colocar na sua sepultura uma inscrição com a data de sua morte: 15 de agosto de 257.

 

- 02/07/2016 – Arraiá dos Coroinhas e Acólitos